As Demonstrações Financeiras – publicado no O Tributo de Novembro de 2016

Nas edições anteriores escrevemos sobre a relação que o empresário deve ter com a contabilidade, procurámos explicar todo o processo contabilístico e é no seguimento destes dois artigos que vamos falar da fase que nos leva à elaboração das demonstrações financeiras. Um conjunto de demonstrações financeiras é composto por um balanço, uma demonstração dos resultados por naturezas (DRN), uma demonstração dos fluxos de caixa (DFC), uma demonstração das alterações do capital próprio (DACP) e um anexo às contas. Nem todas as entidades estão sujeitas a este conjunto completo de demonstrações financeiras, mas quem se preocupa com a gestão da empresa verificará que cada uma delas contém informação relevante e diferente das restantes, e que muitas vezes é necessário conjuga-las para obter o que realmente necessitamos. Comecemos então pelo balanço, trata-se de um mapa com informação reportada a uma determinada data demonstrando a origem de fundos da empresa (Capital Próprio e Passivo) e onde são aplicados esses fundos (Ativo), assim este mapa é constituído pelos ativos, passivos e capital próprio, elementos que compõem o património da empresa. Os ativos agregam os bens e os direitos, são recursos controlados pela empresa, dos quais destacamos, as máquinas, os carros e o mobiliário, relativamente aos bens, sendo as dívidas de clientes e outros devedores, alguns exemplos de direitos. Por sua vez, o passivo é constituído pelas obrigações, são o caso das dívidas aos fornecedores, bancos e outros credores. O último elemento constitutivo do balanço é o capital próprio composto pelo capital inicial com que a empresa foi constituída, e os resultados que gerou ao longo da sua vida e não distribuiu. O capital próprio representa o valor residual dos ativos depois de a empresa deduzir os seus passivos e isso pode-se verificar através da equação fundamental da contabilidade: Capital Próprio = Ativo – Passivo A elaboração do balanço tem como finalidade proporcionar informação sobre a posição financeira da empresa, que está relacionada com os recursos económicos, a estrutura de financiamento a liquidez e a solvência, como se verifica estamos perante um mapa com informação muito relevante para a tomada de decisões da empresa. A DRN, a segunda demonstração do conjunto, evidencia a formação dos resultados (lucros ou prejuízos). É constituída pelos rendimentos e gastos, considerando que os rendimentos representam aumentos de benefícios provenientes do aumento de ativos ou da diminuição de passivos e, por sua vez, os gastos são diminuições dos benefícios relacionados com a quebra de ativos ou aumento de passivos. Estamos perante um mapa que permite avaliar o desempenho económico de uma empresa num determinado período, nomeadamente a rendibilidade operacional e líquida do volume de negócios e com a interligação com o balanço podemos apurar a rendibilidade dos capitais investidos e a dos capitais próprios. Para além dos resultados do período existem outros que também podem ser retirados da DNR, são eles os resultados antes de depreciações, gastos de financiamento e impostos também conhecido por EBITDA (Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization), os resultados operacionais, os que são gerados pela atividade operacional da empresa não incorporando os efeitos do financiamento e dos impostos e os resultados antes dos impostos, estes já englobam os gastos com o financiamento mas ainda sem o efeito fiscal. Mais uma vez, sublinho a riqueza de informação que se pode retirar de um único mapa e a sua utilidade. A DFC, demonstra os ciclos financeiros da empresa, procurando dar informação sobre a formação das disponibilidades (Caixa e bancos), medindo o impacto nos vários ciclos financeiros, o operacional, o do investimento e do financiamento. Utilizando uma linguagem menos técnica esta demonstração mostra-nos de onde vem e para onde vai o dinheiro. Estamos perante mais um mapa com informação de extrema importância para a gestão de qualquer empresa. Quando falámos no balanço, referimos que o capital próprio era um dos seus elementos constitutivos e dissemos que este elemento era composto pelo capital inicial da empresa e os resultados que a empresa foi gerando ao longo da sua vida e não distribuiu. A informação constante na DACP é útil para conhecer de uma forma detalhada as alterações ocorridas no capital próprio, nomeadamente a forma como foi distribuído o resultado gerado ou a forma como ficou guardado o que não foi distribuído, as realizações do capital e dos prémios de emissão entre outras. Por último o Anexo às demonstrações financeiras, é um documento de extrema importância na medida em que divulga informações, umas que se destinam a explicar e desenvolver os valores constantes nas demonstrações financeiras e, outras, a divulgar situações que não estão expressas mas serão certamente necessárias e úteis melhorando a compreensão da evolução financeira da empresa. O Anexo é assim um complemento a todas as outras demonstrações financeiras. Para concluir é importante referir a interligação que existe entre as demonstrações financeiras, como já vimos o Ativo = Capital Próprio + Passivo, e o Capital Próprio engloba os resultados que a empresa gerou e não distribuiu. Por isso, as empresas quando obtêm lucros reforçam os seus capitais e a sua solvabilidade, enquanto os prejuízos os reduzem. Assim com base nos resultados gerados temos uma ligação entre o Balanço e a DRN. Os fluxos de caixa gerados num determinado período refletem-se em caixa e nos depósitos, ambas contas representadas no balanço, assim fluxos positivos reforçam a liquidez da empresa bem como a sua capacidade para a liquidação das suas dívidas, cumprindo as suas obrigações, no caso de os fluxos serem negativos, a liquidez e cumprimento das obrigações ficam mais difíceis. Também aqui verificamos a ligação entre DFC e o balanço. Assim se pensarmos que os rendimentos e gastos registados na DRN, transformar-se-ão em recebimentos e pagamentos os quais serão refletidos na DFC e nas contas Caixa e Depósitos à Ordem que fazem parte da estrutura do Balanço. A interligação entre as demonstrações financeiras é essencial para compreendermos os efeitos que as alterações feitas numa demonstração têm nas outras, o conhecimento destes efeitos é muito importante na tomada de decisão do gestor. A informação retirada das demonstrações e aqui referida é sem dúvida importante, mas é apenas uma pequena gota daquilo tudo que pode ser retirado através de diversos indicadores calculados pelo método dos rácios, tema que abordaremos oportunamente.

 

Modelos das Demonstrações Financeiras:

http://www.cnc.min-financas.pt/pdf/SNC/Portaria_986_2009_MDF.pdf

 

Fonte: Artigo escrito por António Xavier

Sócio – Gerente da empresa Gesconfer