Máquinas e equipamentos

No artigo de hoje fazemos uma nova incursão na avaliação de máquinas e equipamentos, com a partilha de um artigo que escrevemos para o blogue “Out of the Box” sobre o assunto:

 

 

 

“A avaliação de máquinas e equipamentos é uma área da avaliação de património pouco divulgada mas que assume uma importância decisiva nas finanças empresariais. Por este blogue versar temáticas respeitantes às finanças empresariais, será porventura interessante fazer uma ligeira deriva ao tema que normalmente é abordado neste espaço, a avaliação de imóveis.

 

Este artigo pretende chamar a atenção para a importância do assunto, que tem sido muito descurado pelas entidades oficiais.

 

Senão, vejamos.


Tem existido uma preocupação muito forte da CMVM, do Banco de Portugal e do Instituto de Seguros de Portugal em regular a atividade dos peritos avaliadores de imóveis, em função do impacto que o mau exercício da atividade pode ter nos setores bancários, financeiros e de seguros. 

 

Ao contrário, não se conhece nenhuma indicação destas entidades para a regulação da avaliação de máquinas e equipamentos. 

 

A rúbrica de Ativos Fixos Tangíveis de qualquer empresa do setor produtivo é composta por imóveis, se estiverem afetos à atividade da empresa, e por máquinas e equipamentos. Estes últimos têm também um peso muito importante nos balanços das empresas. 

 

Uma deficiente avaliação destes ativos pode mascarar decisivamente as contas de uma entidade. Recorde-se que existem equipamentos que assumem valores de milhões de euros cuja deficiente avaliação pode causar dados importantes ao nível de imparidades.

 

Internacionalmente, esta falta de preocupação já não acontece. Quer as International Valuation Standards (IVS) quer as European Valuation Standards têm informação relevante sobre esta matéria. 

 

Cabe, no âmbito deste artigo, explicar, sucintamente, o que as IVS expõem sobre o tema.

 

Segundo estas, uma avaliação de máquinas e equipamentos exigirá, normalmente, a consideração de três abordagens complementares.

 

Uma primeira abordagem tem relação com o próprio ativo, onde se incluem as suas próprias especificações técnicas, a sua vida útil, o seu histórico de manutenções preventivas e curativas, o seu plano de manutenção e ainda os seus custos de desmontagem, de desmantelamento e de remoção.

 

A envolvente ambiental também deve ser estudada. Por exemplo, a localização do equipamento em relação à fonte de matéria-prima ou mesmo a escassez desta. A legislação ambiental também poderá influenciar a estimativa do valor.

 

Um último nível, também importante, é o económico. Um tema muito ligado a este aspeto é a criação de imparidades em equipamentos por culpa do desenvolvimento tecnológico, que pode encontrar máquinas e equipamentos que produzam o mesmo produto a custos mais baixos ou em economia de escala.

 

Por último, a referência a algumas técnicas utilizadas na avaliação de máquinas e equipamentos. 

 

A primeira de todas, transversal a qualquer avaliação, é o método comparativo de mercado. De facto, devemos auscultar o mercado por ativos equivalentes ao que estamos a avaliar e depois fazer a respetiva homogeneização.

 

É um método muito eficaz em equipamentos com grande liquidez no mercado. 

 

Referimo-nos, por exemplo, a máquinas industriais como empilhadores ou retroescavadoras ou ainda a veículos pesados de transporte de mercadorias. 

 

Acontece, no entanto, que muitas máquinas são específicas e raramente transacionáveis, sem mercado de compra e venda, como é o caso de um desfragmentador de metais ou uma linha de extrusão.

 

Nestas situações recorremos ao equivalente ao “método do custo”.

 

São exemplos destas técnicas o Método da Depreciação Não Linear, o Método de Cole, a Fórmula de Matheson, o Método de Jans-Heidecke e o Método do Eng. Hélio Caires.

 

Por fim, uma pequena explicação de um destes métodos alternativos.

O Método de Jans-Heidecke suporta-se na fórmula de Jans-Heidecke, que combina a depreciação segundo o tipo de bem (Jans) e o estado de conservação (Heidecke), que também é muito utilizado na avaliação de imóveis:

 

 

 

 

 

Sendo que:

Valor de Uso Continuado (VUC) – Valor que assume para a empresa, no pressuposto que contribui para a sua atividade operacional, estando em funcionamento e gerando fluxos de caixa.

Valor de Substituição a Novo (VSN) – Valor determinado na base do que o equipamento custaria para ser substituído por outro igualmente satisfatório, ponderando-se o desenvolvimento tecnológico do mercado.

 


 

 

 

O coeficiente x é obtido na tabela de Jans e está relacionado com o tipo de equipamento e o tipo de serviço.

 

 

Boas avaliações!