Débitos diretos carecas subiram 9% no ano passado

Falta de dinheiro na conta é o motivo que mais leva os bancos a rejeitarem pagamentos por débito direto e cheques.

Os cheques estão a perder importância como meio de pagamento e o número de cheques carecas também tem vindo a cair. Nos débitos diretos, a realidade é bem diferente: são cada vez mais as pessoas e empresas que utilizam este meio de pagamento e o número de operações rejeitadas pelos bancos por insuficiência de saldo na conta é cada vez maior. No ano passado, a falta de dinheiro fez que fossem recusados 14,22 milhões destas operações, mais 9% do que um ano antes. Em valor, e segundo os dados do boletim estatístico do Banco de Portugal, ficaram por pagar 2,49 mil milhões de euros. Foram mais 400 milhões de euros do que em 2015, ano em que a insuficiência de saldo tinha motivado um número mais reduzido de rejeições de pagamentos por débito direto do que no ano anterior. 

A falta de dinheiro (ou insuficiência de provisão) é o principal motivo para os bancos rejeitarem um pagamento por débito em conta, pesando 81% nestas situações. Ou seja, são nada menos de oito em cada dez rejeições. Mas há outras razões. Por recusa da operação por parte do banco devedor ou por instrução do cliente, impossibilidade de movimentação da conta (por esta não existir ou os dados não estarem corretos) ou ainda por violação dos limites de autorização. A informação disponível para os dois primeiros meses deste ano dá conta de nova subida (em valor e número de operações) nas recusas dos débitos diretos, por não haver dinheiro na conta. Os pagamentos de contas através de débitos diretos caiu em 2015, mas voltou a ganhar força em 2016, com o valor processado neste sistema a superar os 20,37 mil milhões de euros. Já a utilização de cheques tem vindo a perder adeptos . Ainda que continue a ser um dos meios que mais dinheiro movimentam: ao longo de 2016, passaram pelo sistema de compensação dos bancos cheques no valor de 58,08 mil milhões de euros. O valor é elevado, mas inferior aos 68,507 mil milhões de 2014 ou aos mais de 63 mil milhões movimentados em 2015. Este decréscimo ajuda a explicar que o número de cheques sem provisão também esteja em queda. No ano passado, os bancos devolveram 157,6 milhões de cheques no valor de 535,5 milhões de euros. Destes, 108,4 milhões foram recusados por estarem carecas. A falta de saldo na conta fez que ficassem por pagar 322,8 milhões de euros. Um ano antes, os cheques sem provisão totalizaram 120,8 milhões e representavam 343,8 milhões de euros. Apesar da descida, o peso da falta de provisão no total do valor em pagamento registou uma subida, passando de 0,32% para 0,33%.

 

Por: Lucília Tiago

 

Fonte: Dinheiro Vivo